O RoRo tem tomado banho sozinho. Às vezes eu o pego para uma faxina, ou, quando o banho ocorre com a Lalinha, dividimos as partes que eu reviso das que ele se lava sem checagem materna.
Hoje ele fala: "Já lavei a ervilha do pipi". "O quê?", perguntei sem entender nada. Como resposta, ouvi a mesma frase.
"Onde fica a ervilha do pipi?", repeti a pergunta. "Aqui.", apontando para a virília.
Por um momento virília foi confundida com ervilha!
é o meu espaço, e um espaço para quem mais se interessar, para registrar, desabafar, refletir, questionar e rir das experiências da vida de mãe, de pai, de filho...
6 de abril de 2011
18 de março de 2011
17 de março de 2011
Explicando a morte para uma criança
Estávamos no carro, o RoRo com uns 3 anos e meio, quando ele perguntou se a tia Bia não tinha pai. Respondi que sim, mas que ele tinha morrido há alguns anos. Surgiu, então, a questão: "O que é morrer?". E a resposta mais óbvia do mundo: "Morrer é deixar de viver, é não estar mais vivo."
- "Eu estou vivo?"
- "Está."
- "Você está viva?"
- "Estou."
- "O papai está vivo?"
- "Está."
Na relação de pessoas vivas veio a família toda e alguns amigos.
Por semanas ele repetiu as mesmas perguntas, transformando num inquérito a brincadeira de vivo ou morto.
Do vivo-morto começaram a surgir outras perguntas: "Como morre?". "Você vai morrer?". "Quando você vai morrer?". Para cada pergunta uma resposta simples e sempre a mesma:
Como morre? - Antes mesmo da minha resposta, o RoRo apresentava a dele com dramatizações e mais interrogações: Deitado? Dormindo? Sentado? Vida e morte ainda estavam muito coladas à brincadeira do vivo-morto, saindo pela primeira vez da vivência corporal para a intelectual. A minha resposta: "Quando o coração pára de bater, quando a pessoa não consegue mais respirar, quando a pessoa está muito velhinha..."
Você vai morrer? - "Todos nós vamos. Tudo o que tem vida morre um dia, as plantas, as flores, as pessoas."
Quando você vai morrer? - "Isso ninguém sabe, não dá para responder."
Das conversas que surgiram fomos incluindo as pessoas da família que já tinham morrido, contando seus nomes, suas histórias. Suas perguntas se costuravam num zig-zag de conteúdos assimilados e novas questões que incrementavam o tema.
- "Para onde vão as pessoas que morrem?"
- "Vão para onde as pessoas que morrem vão."
Esta resposta se sustentou por muito tempo, o que me deixava bastante tranquila. Como não somos religiosos, Deus ainda não tinha entrado em nossas conversas (bem como ainda não entrou). Introduzir a tão comum ideia de Céu me incomodava por me fazer lembrar de um primo, que na ocasião do luto pela morte do meu avô, perguntava à mãe se não era possível colocar vários prédios, um sobre o outro, para conseguir alcançá-lo no Céu. Honestamente, não queria correr o risco de me enroscar na engenharia.
Pelos meus percursos religiosos entre o Catolicismo, o Protestantismo e o Espiritismo, e pelas perdas de pessoas muito queridas na minha adolescência, construi para mim mesma a ideia de que depois da morte todo mundo se encontra e fica melhor do que estava antes (meu único consolo para achar que essa coisa tenha um pouco de vantagem, para quem vai e para quem fica). Essa ideia já tinha sido passada para minha sobrinha, que se satisfez com a resposta. Então, não tinha por que eu fazer diferente com meu próprio filho.
Pois bem, tudo muito didático, transparente e compreensível - todo mundo nasce, todo mundo morre (aliás, nascer e morrer são questionamentos que caminham juntos nesta idade) - mas só até a morte estar relacionada a pessoas que o RoRo tinha tido um convívio mínimo ou não conhecera.
Desde que nasceu, o RoRo teve 3 avós, as 2 biológicas e a Titila, a tia avó, irmã da minha mãe, que ocupou o terceiro posto. Nossa convivência era quase diária, uma companheirona dele e minha (mais tarde, da Lalinha também) nos momentos mais alegres e nos mais difíceis. O ano passado inteiro, contudo, foi um ano de intensa luta contra metásteses que se instalaram em seu corpo. O RoRo acompanhou sua história, as marcas na pele para a radioterapia (desenho com canetinha!), a queda do cabelo (e entender que o papai toma remédio para não cair cabelo e a Titila tomava um que fazia o cabelo cair!), a combinação dos turbantes com as roupas, sua dificuldade em encontrar posição que minimizasse suas dores, seu afastamento da nossa casa (não caminhava a pé nos 2 quarteirões que nos separavam), as tardes em que não nos encontrávamos porque ela estava em algum médico ou reclusa em recuperação da quimioterapia... Mais tarde, a boa notícia de que as "manchinhas" tinham sumido, a visita dela na nossa casa nova, a preparação para sua festa de 74 anos organizada por ele e por mim e, infelizmente, a triste realidade de que "as manchinhas tinham voltado e desta vez não tinha remédio que pudesse tirá-las do seu corpo". Uma semana depois da festa com bolo, brigadeiro e bexiga, Titila internou e não saiu mais.
Todos os dias o RoRo perguntava como ela estava, se havia melhorado, até que um dia, depois de quase um mês e meio internada, minha mãe avisa que seus sinais vitais estavam muito fracos e que só nos restava esperar o corpo parar de pulsar. Preparei tudo em casa e, antes de sair, falei ao RoRo, Lalinha e minhas sobrinhas, também com 2 anos e 8 meses: "Estou indo para o hospital porque a Titila está muito fraquinha e não tem nenhum remédio que possa fazê-la melhorar. Ela vai morrer.".
Eu precisava dizer isso para eles, principalmente ao RoRo porque eu sabia que eu não voltaria tão cedo para casa e eu queria que ele ouvisse de mim essas palavras. E de fato foi o que aconteceu.
Por telefone orientei todos sobre o que já tínhamos conversado sobre a morte e o que eu achava que podia ser dito. Em vão...
Nosso encontro no dia seguinte, depois do enterro, foi uma avalanche de emoções, perguntas e surpresa de conteúdos que não saíram das nossas inúmeras conversas sobre vida e morte. Todo o cuidado que eu imaginava ter tido em "prepará-lo" para o tema parecia ter ido por água abaixo.
Com 4 anos e meio, as perguntas sobre morte foram ficando cada vez mais refinadas com novos conteúdos apresentados por quem esteve com ele na minha ausência. Não consegui abraçar meu filho sem chorar. Minhas lágrimas eram minha tristeza, mas também um alvará para que ele pudesse expressar o que estava sentindo. Choramos juntos por mais de uma hora. O RoRo estava desolado por não ter ido se despedir da tia (nunca achei que velório e cemitério fossem lugar para criança) e ansioso para ter resposta a tantas perguntas que pareciam sair de um saquinho de sorteio, num ir e vir sem fim:
- "A Titila já virou pó?"
- "Onde ela morreu?"
- "Quem colocou a Titila na caixa (caixão)?"
- "Como enterra?"
- "Como ela foi colocada na caixa?"
Entre cada pergunta, meu espanto, decepção e um pouco de desespero de como eu iria sair daquela situação. Quem lhe dissera essas coisas? Não adiantava eu procurar o "culpado". Dei-me conta, com a morte, que as coisas da vida chegam às crianças por mais que a gente tente protegê-las. O RoRo tinha fragmentos assustadores de um enterro, e eu, uma situação que parecia não ter saída. Cheguei até a esboçar um discurso sobre corpo e alma! Uma catástrofe.
Sem saber qual caminho trilhar, recorri à minha grande amiga, que me sugeriu falar que minha tia tinha virado uma estrelinha no Céu. Mais tranquilia por ter dividido minha angústia, eu tinha dúvidas se devia falar desta maneira. Além do mundo novo que o RoRo questionava, eu ainda teria que apresentar o Céu? Mas como, se minha tia estava numa caixa embaixo da terra...
Telefonei para outra grande amiga, minha fada, que sugeriu que eu dissesse que onde minha tia estava tinha uma escada para o Céu, que só ela podia ver. Escada? Não!
Minha cabeça girava, meu filho chorava. Eu chorava junto, de tristeza, de impotência. Tudo o que ele ouvira era concreto demais, doloroso e difícil de entender sem ver. Numa idade em que fantasia e realidade caminham juntas, acabei me rendendo ao Céu. Não tinha pensado antes que ele é mágico, misterioso, grande, bonito, infinito. Quem nunca quis tocá-lo ou andar de avião para ficar bem pertinho dele? É muito melhor do que a caixa, a terra, que sufocam e apertam. Por que eu não tinha me rendido a essa ideia antes?
Remendando de um lado a outro eu disse algo assim: "A Titila não vai ficar morando na caixa. Ela só entrou na caixa para poder pegar uma passagem secreta para o Céu. Ela vai morar lá, onde já moram as pessoas que morreram e que ela gostava muito. Vai encontrar todo mundo e ficar feliz, sem dor". Claro que o RoRo me perguntou como era essa passagem, e eu respondi que não sabia porque a gente precisava morrer para saber. Ficamos calmos.
Os dias seguintes foram recheados de perguntas, mas havia um conteúdo mais lúdico. O RoRo contou para a Lalinha que a Titila agora morava no Céu e, depois de um silêncio, os vi no terraço do nosso apartamento no 11° andar chamando pela tia e abanando a mão. Eles se divertiam, como sempre acontecia na sua presença.
Dois meses se passaram de sua morte e o RoRo ainda fala da Titila, quase todos os dias. Chora porque tem saudades, lembra do que ela fazia, usa o que ela deu, brinca com os imãs de geladeira que ficaram de herança para ele e a Lalinha... Lembra da tia com carinho e saudades, e, o que acho mais importante, elabora o luto. Já disse que queria morrer em Tatuí (onde minha tia foi enterrada) para ficar no Céu daquela cidade (me confirmou que para poder ficar perto dela) e que queria morrer antes de todo mundo (incrível que percebeu que quem morre primeiro não sofre pela morte dos que se vão depois). O RoRo fala sobre morte, inventa estórias sobre morrer, em casa, na escola, por onde passa. Quem está a sua volta escuta, faz perguntas, fala sobre saudade, tristeza, perdas, mostrando que isso tudo faz parte da vida, como os bons momentos que a gente tem com as coisas e pessoas que a gente gosta muito.
A morte é sempre uma lição, como a vida. Ela surpreende não pelo fim, mas pela percepção daquilo que no dia a dia a gente não se dá conta que existe...
- "Eu estou vivo?"
- "Está."
- "Você está viva?"
- "Estou."
- "O papai está vivo?"
- "Está."
Na relação de pessoas vivas veio a família toda e alguns amigos.
Por semanas ele repetiu as mesmas perguntas, transformando num inquérito a brincadeira de vivo ou morto.
Do vivo-morto começaram a surgir outras perguntas: "Como morre?". "Você vai morrer?". "Quando você vai morrer?". Para cada pergunta uma resposta simples e sempre a mesma:
Como morre? - Antes mesmo da minha resposta, o RoRo apresentava a dele com dramatizações e mais interrogações: Deitado? Dormindo? Sentado? Vida e morte ainda estavam muito coladas à brincadeira do vivo-morto, saindo pela primeira vez da vivência corporal para a intelectual. A minha resposta: "Quando o coração pára de bater, quando a pessoa não consegue mais respirar, quando a pessoa está muito velhinha..."
Você vai morrer? - "Todos nós vamos. Tudo o que tem vida morre um dia, as plantas, as flores, as pessoas."
Quando você vai morrer? - "Isso ninguém sabe, não dá para responder."
Das conversas que surgiram fomos incluindo as pessoas da família que já tinham morrido, contando seus nomes, suas histórias. Suas perguntas se costuravam num zig-zag de conteúdos assimilados e novas questões que incrementavam o tema.
- "Para onde vão as pessoas que morrem?"
- "Vão para onde as pessoas que morrem vão."
Esta resposta se sustentou por muito tempo, o que me deixava bastante tranquila. Como não somos religiosos, Deus ainda não tinha entrado em nossas conversas (bem como ainda não entrou). Introduzir a tão comum ideia de Céu me incomodava por me fazer lembrar de um primo, que na ocasião do luto pela morte do meu avô, perguntava à mãe se não era possível colocar vários prédios, um sobre o outro, para conseguir alcançá-lo no Céu. Honestamente, não queria correr o risco de me enroscar na engenharia.
Pelos meus percursos religiosos entre o Catolicismo, o Protestantismo e o Espiritismo, e pelas perdas de pessoas muito queridas na minha adolescência, construi para mim mesma a ideia de que depois da morte todo mundo se encontra e fica melhor do que estava antes (meu único consolo para achar que essa coisa tenha um pouco de vantagem, para quem vai e para quem fica). Essa ideia já tinha sido passada para minha sobrinha, que se satisfez com a resposta. Então, não tinha por que eu fazer diferente com meu próprio filho.
Pois bem, tudo muito didático, transparente e compreensível - todo mundo nasce, todo mundo morre (aliás, nascer e morrer são questionamentos que caminham juntos nesta idade) - mas só até a morte estar relacionada a pessoas que o RoRo tinha tido um convívio mínimo ou não conhecera.
Desde que nasceu, o RoRo teve 3 avós, as 2 biológicas e a Titila, a tia avó, irmã da minha mãe, que ocupou o terceiro posto. Nossa convivência era quase diária, uma companheirona dele e minha (mais tarde, da Lalinha também) nos momentos mais alegres e nos mais difíceis. O ano passado inteiro, contudo, foi um ano de intensa luta contra metásteses que se instalaram em seu corpo. O RoRo acompanhou sua história, as marcas na pele para a radioterapia (desenho com canetinha!), a queda do cabelo (e entender que o papai toma remédio para não cair cabelo e a Titila tomava um que fazia o cabelo cair!), a combinação dos turbantes com as roupas, sua dificuldade em encontrar posição que minimizasse suas dores, seu afastamento da nossa casa (não caminhava a pé nos 2 quarteirões que nos separavam), as tardes em que não nos encontrávamos porque ela estava em algum médico ou reclusa em recuperação da quimioterapia... Mais tarde, a boa notícia de que as "manchinhas" tinham sumido, a visita dela na nossa casa nova, a preparação para sua festa de 74 anos organizada por ele e por mim e, infelizmente, a triste realidade de que "as manchinhas tinham voltado e desta vez não tinha remédio que pudesse tirá-las do seu corpo". Uma semana depois da festa com bolo, brigadeiro e bexiga, Titila internou e não saiu mais.
Todos os dias o RoRo perguntava como ela estava, se havia melhorado, até que um dia, depois de quase um mês e meio internada, minha mãe avisa que seus sinais vitais estavam muito fracos e que só nos restava esperar o corpo parar de pulsar. Preparei tudo em casa e, antes de sair, falei ao RoRo, Lalinha e minhas sobrinhas, também com 2 anos e 8 meses: "Estou indo para o hospital porque a Titila está muito fraquinha e não tem nenhum remédio que possa fazê-la melhorar. Ela vai morrer.".
Eu precisava dizer isso para eles, principalmente ao RoRo porque eu sabia que eu não voltaria tão cedo para casa e eu queria que ele ouvisse de mim essas palavras. E de fato foi o que aconteceu.
Por telefone orientei todos sobre o que já tínhamos conversado sobre a morte e o que eu achava que podia ser dito. Em vão...
Nosso encontro no dia seguinte, depois do enterro, foi uma avalanche de emoções, perguntas e surpresa de conteúdos que não saíram das nossas inúmeras conversas sobre vida e morte. Todo o cuidado que eu imaginava ter tido em "prepará-lo" para o tema parecia ter ido por água abaixo.
Com 4 anos e meio, as perguntas sobre morte foram ficando cada vez mais refinadas com novos conteúdos apresentados por quem esteve com ele na minha ausência. Não consegui abraçar meu filho sem chorar. Minhas lágrimas eram minha tristeza, mas também um alvará para que ele pudesse expressar o que estava sentindo. Choramos juntos por mais de uma hora. O RoRo estava desolado por não ter ido se despedir da tia (nunca achei que velório e cemitério fossem lugar para criança) e ansioso para ter resposta a tantas perguntas que pareciam sair de um saquinho de sorteio, num ir e vir sem fim:
- "A Titila já virou pó?"
- "Onde ela morreu?"
- "Quem colocou a Titila na caixa (caixão)?"
- "Como enterra?"
- "Como ela foi colocada na caixa?"
Entre cada pergunta, meu espanto, decepção e um pouco de desespero de como eu iria sair daquela situação. Quem lhe dissera essas coisas? Não adiantava eu procurar o "culpado". Dei-me conta, com a morte, que as coisas da vida chegam às crianças por mais que a gente tente protegê-las. O RoRo tinha fragmentos assustadores de um enterro, e eu, uma situação que parecia não ter saída. Cheguei até a esboçar um discurso sobre corpo e alma! Uma catástrofe.
Sem saber qual caminho trilhar, recorri à minha grande amiga, que me sugeriu falar que minha tia tinha virado uma estrelinha no Céu. Mais tranquilia por ter dividido minha angústia, eu tinha dúvidas se devia falar desta maneira. Além do mundo novo que o RoRo questionava, eu ainda teria que apresentar o Céu? Mas como, se minha tia estava numa caixa embaixo da terra...
Telefonei para outra grande amiga, minha fada, que sugeriu que eu dissesse que onde minha tia estava tinha uma escada para o Céu, que só ela podia ver. Escada? Não!
Minha cabeça girava, meu filho chorava. Eu chorava junto, de tristeza, de impotência. Tudo o que ele ouvira era concreto demais, doloroso e difícil de entender sem ver. Numa idade em que fantasia e realidade caminham juntas, acabei me rendendo ao Céu. Não tinha pensado antes que ele é mágico, misterioso, grande, bonito, infinito. Quem nunca quis tocá-lo ou andar de avião para ficar bem pertinho dele? É muito melhor do que a caixa, a terra, que sufocam e apertam. Por que eu não tinha me rendido a essa ideia antes?
Remendando de um lado a outro eu disse algo assim: "A Titila não vai ficar morando na caixa. Ela só entrou na caixa para poder pegar uma passagem secreta para o Céu. Ela vai morar lá, onde já moram as pessoas que morreram e que ela gostava muito. Vai encontrar todo mundo e ficar feliz, sem dor". Claro que o RoRo me perguntou como era essa passagem, e eu respondi que não sabia porque a gente precisava morrer para saber. Ficamos calmos.
Os dias seguintes foram recheados de perguntas, mas havia um conteúdo mais lúdico. O RoRo contou para a Lalinha que a Titila agora morava no Céu e, depois de um silêncio, os vi no terraço do nosso apartamento no 11° andar chamando pela tia e abanando a mão. Eles se divertiam, como sempre acontecia na sua presença.
Dois meses se passaram de sua morte e o RoRo ainda fala da Titila, quase todos os dias. Chora porque tem saudades, lembra do que ela fazia, usa o que ela deu, brinca com os imãs de geladeira que ficaram de herança para ele e a Lalinha... Lembra da tia com carinho e saudades, e, o que acho mais importante, elabora o luto. Já disse que queria morrer em Tatuí (onde minha tia foi enterrada) para ficar no Céu daquela cidade (me confirmou que para poder ficar perto dela) e que queria morrer antes de todo mundo (incrível que percebeu que quem morre primeiro não sofre pela morte dos que se vão depois). O RoRo fala sobre morte, inventa estórias sobre morrer, em casa, na escola, por onde passa. Quem está a sua volta escuta, faz perguntas, fala sobre saudade, tristeza, perdas, mostrando que isso tudo faz parte da vida, como os bons momentos que a gente tem com as coisas e pessoas que a gente gosta muito.
A morte é sempre uma lição, como a vida. Ela surpreende não pelo fim, mas pela percepção daquilo que no dia a dia a gente não se dá conta que existe...
8 de março de 2011
Quem "dirige" o avião?
É o Robôtolo, respondeu a Lalinha.
Neologismo? Dificuldade com as palavras? Ou sabedoria infantil de que a máquina é comandada por robôs + pilotos?
Seja o que for, ela conseguiu com o irmão, num vôo vazio, conhecer a cabine de uma aeronave. Amou, como toda criança!
Neologismo? Dificuldade com as palavras? Ou sabedoria infantil de que a máquina é comandada por robôs + pilotos?
Seja o que for, ela conseguiu com o irmão, num vôo vazio, conhecer a cabine de uma aeronave. Amou, como toda criança!
4 de outubro de 2010
Já sei!
O RoRo está na fase "mania de explicação"; quer saber tudo e, muitas vezes, já sabe tudo. Por quê sou mais velha do que ele? Por quê nasci antes dele? Simplesmente pela mais deliciosa resposta que uma mãe poderia ouvir: "Já sei, para você poder ser minha mãe!". Nunca ter 38 anos foi tão bom na vida!
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3 de setembro de 2010
Filho de peixe...
Minha irmã tem olhos verdes; meu irmão, azuis. Sendo a chorona filha do meio, claro, não podia ser diferente... Nasci com olhos castanhos, de onde rolaram muitas lágrimas na infância pelo infortúnio de ter nascido com olhos escuros.
O drama passou, as lágrimas secaram, e me apropriei tanto da cor dos meus olhos que nunca, mas nunca mesmo, pensei em ter um filho com olhos claros. Até o Príncipe Encantado dos meus sonhos tinha olhos e cabelos castanhos. Ainda bem que o sonho virou realidade... e com ele tive um lindo filho com olhos azuis e uma linda filha com olhos que parecem duas jabuticabas daquelas que estralam na boca, grandes, vivas e pretinhas.
Como filho de peixe, peixinho é, um dia desses vejo o bico de choro do RoRo numa face, um tanto teatral, de inconsolável tristeza. Como a mãe, ele chorava por causa da cor dos olhos. Só que suas lágrimas caiam porque eles não eram castanhos...
O drama passou, as lágrimas secaram, e me apropriei tanto da cor dos meus olhos que nunca, mas nunca mesmo, pensei em ter um filho com olhos claros. Até o Príncipe Encantado dos meus sonhos tinha olhos e cabelos castanhos. Ainda bem que o sonho virou realidade... e com ele tive um lindo filho com olhos azuis e uma linda filha com olhos que parecem duas jabuticabas daquelas que estralam na boca, grandes, vivas e pretinhas.
Como filho de peixe, peixinho é, um dia desses vejo o bico de choro do RoRo numa face, um tanto teatral, de inconsolável tristeza. Como a mãe, ele chorava por causa da cor dos olhos. Só que suas lágrimas caiam porque eles não eram castanhos...
1 de setembro de 2010
Virtual-Vivo
Vendo umas fotos com o RoRo, num primeiro instante ele não entende porque, numa mesma foto, aparecem duas Lalinhas. Logo ele conclui: "Já sei, tem uma no espelho e a outra viva".
...um pouco como a janela de São Luís do Paraitinga, feita por ele este na escola em homenagem ao famoso Carnaval da cidade destruída pelas chuvas no início de 2010.
...um pouco como a janela de São Luís do Paraitinga, feita por ele este na escola em homenagem ao famoso Carnaval da cidade destruída pelas chuvas no início de 2010.
24 de agosto de 2010
Bolo de Chocolate com Mel
Minha mãe sempre teve uma receita infalível de bolo de chocolate. Eu adaptei e diria que é um dos melhores bolos que já comi. As crianças adoram.
1 1/2 xícara de farinha de trigo peneirada (ou 1 xícara de farinha de trigo e 1/2 xícara de farinha de trigo integral peneiradas)
1/2 xícara de chocolate em pó
1 xícara de leite
1 xícara de açúcar demerara
2 colheres de sopa de mel
150g de manteiga ou margarina
2 ovos
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
Bata na batedeira a manteiga, o açúcar e o mel até formar um creme. Acrescente os ovos (com clara e gema) e bata até o creme dobrar de volume. Acrescente o chocolate e a canela e bata para fazer um creme homogêneo. Aos poucos, acrescente a farinha e o leite alternadamente, mexendo com uma espátula. Bata rapidamente com a batedeira para ter certeza de que não ficou nenhum grumo de farinha. Acrescente o fermento e misture leve e rapidamente. Coloque a massa em fôrma untada com manteiga e farinha e leve para assar. Dispensa até a cobertura!
1 1/2 xícara de farinha de trigo peneirada (ou 1 xícara de farinha de trigo e 1/2 xícara de farinha de trigo integral peneiradas)
1/2 xícara de chocolate em pó
1 xícara de leite
1 xícara de açúcar demerara
2 colheres de sopa de mel
150g de manteiga ou margarina
2 ovos
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
Bata na batedeira a manteiga, o açúcar e o mel até formar um creme. Acrescente os ovos (com clara e gema) e bata até o creme dobrar de volume. Acrescente o chocolate e a canela e bata para fazer um creme homogêneo. Aos poucos, acrescente a farinha e o leite alternadamente, mexendo com uma espátula. Bata rapidamente com a batedeira para ter certeza de que não ficou nenhum grumo de farinha. Acrescente o fermento e misture leve e rapidamente. Coloque a massa em fôrma untada com manteiga e farinha e leve para assar. Dispensa até a cobertura!
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6 de agosto de 2010
Que vergonha!
Fiquei 2 meses e meio só com faxineira em casa e, por isso, tive que usar parte do tempo que eu tinha com as crianças para fazer alguma coisa doméstica. Disse ao RoRo que quando eu arrumasse uma ajudante eu teria bastante tempo para brincar com ele. Encontrei a ajudante e comecei a colocar a vida em dia. Numa rara tarde de sono dele, ele acordou, tomou seu leite rotineiro e ficou quietinho assistindo a um desenho.
Achei que tudo ia bem, até eu tomar um merecido puxão de orelha: "Mamãe, você disse que quando arrumasse uma ajudante ia ter mais tempo para brincar comigo. Você arrumou a ajudante e está no computador! Vem brincar comigo!" O tom foi tão imperativo que mais do que depressa deixei o que eu fazia para fazer o que eu prometera. Tomei uma bronca tão grande, que me envergonhou.
Achei que tudo ia bem, até eu tomar um merecido puxão de orelha: "Mamãe, você disse que quando arrumasse uma ajudante ia ter mais tempo para brincar comigo. Você arrumou a ajudante e está no computador! Vem brincar comigo!" O tom foi tão imperativo que mais do que depressa deixei o que eu fazia para fazer o que eu prometera. Tomei uma bronca tão grande, que me envergonhou.
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ser mãe
23 de março de 2010
Um tempo para mim
O tempo perguntou pro tempo
quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu pro tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.
Com a Lalinha na escola, tem sido ótimo fazer qualquer coisa sozinha, sem pressa, sem filho pra carregar no colo, dizer não, amarrar na cadeira do carro, correr porque é hora de comer. Sei que daqui um tempo este tempo não vai mais me ser necessário, mas agora ele é vital. Tem 4 anos que minha vida está no tempo dos meus filhos. Parece incrível, mas até o supermercado mudou de cara. Fazer feira em 40 minutos e não em uma hora e pouco é uma glória. Andar no meu tempo tem sido minha grande conquista e prazer.
E com um pouco mais de tempo, muita gente me pergunta se eu não vou voltar a trabalhar. Minha resposta é não, não chegou a hora. Não tenho vontade ainda. Como eu posso querer trabalhar se estou me reencontrando agora? Trabalhar neste momento é um atropelo, não estou inteira (nem meus filhos!).
Bem que eu gostaria de ser o tempo para ter todo tempo que o tempo tem...
Uso do vaso sanitário
Como foi difícil para o RoRo usar a privada. Primeiro, fazer xixi. O xixi intencional só saía no ralo do chuveiro, mesmo fora da hora do banho. Com muita insistência do pai, a privada virou o alvo do xixi. Mas o cocô... Esse, só na fralda, mesmo depois de tirar a fralda noturna.
Na tentativa de obter sucesso, compramos todos os livros e filmes com o tema, privadinhas, redutor de assento. Valia levar livrinho para ler no banheiro, contar história, ter companhia, ficar sozinho, tudo! Até ajuda profissional pedimos (mesmo com o pediatra dizendo que podíamos esperar até os 5 anos) e a orientação foi: "Cheguem em casa e expliquem que ele cresceu e que fralda é coisa de nenê, que ele não precisa dela para fazer côco". Tudo explicado, colhemos o que temíamos, uma tremenda constipação. Voltamos para a fralda, afinal, o RoRo tinha deixado a chupeta, o paninho, a mamadeira... Uma hora ia também abandonar a fralda.
Ouvi as mais variadas hipóteses, principalmente que talvez ele não conseguisse se desprender de sua "obra". Sabíamos que esta hipótese era furada, pois todos os cocôs iam da fralda para a privada com um tchau vitorioso. Este não era o problema.
A situação estava ficando insustentável. Nem fralda do seu tamanho era fácil de encontrar... Ele já estava com quase 4 anos!
A segunda tentativa de erradicar este comportamento foi dizer que ele teria que sentar-se na privada, mesmo com fralda. Imaginávamos que esta seria uma forma de se familiarizar com o vaso. Ledo engano.
Foi aí que nos demos conta que toda essa situação era criada para nos manipular: a hora de fazer cocô era a hora do almoço (e a Lalinha dependia de nós, pais, para comer). Pedir para colocarmos sua fralda era um jeito de ter nossa atenção com exclusividade ou de fazer com que a irmã não a tivesse por inteiro.
Tentamos cortar a situação dizendo que eu não iríamos mais colocar a fralda, que se ele não usasse a privada teria que colocá-la sozinho. Rapidinho ele aprendeu a colocar a fralda. O que demoramos para perceber é que não havíamos feito o corte por inteiro. Ele punha a fralda e nós a tirávamos. A dinâmica continuava a mesma, até que um dia dissemos: "Agora é hora do almoço. Quer fazer cocô na fralda, coloque-a e depois que fizer cocô, tire-a. Um de nós vai no banheiro só para te limpar". Foram 2 dias reclamando. No terceiro encarou o trono na maior naturalidade.
O que lhe faltava não era maturidade, nem limite de "senta e faz, você cresceu". Faltava a compreensão de que a fralda estava sendo usada como um instrumento para ganhar, num determinado momento do dia, atenção exclusiva. Ela tinha poder: eu posso, eu faço. Ela era sua "obra".
Na tentativa de obter sucesso, compramos todos os livros e filmes com o tema, privadinhas, redutor de assento. Valia levar livrinho para ler no banheiro, contar história, ter companhia, ficar sozinho, tudo! Até ajuda profissional pedimos (mesmo com o pediatra dizendo que podíamos esperar até os 5 anos) e a orientação foi: "Cheguem em casa e expliquem que ele cresceu e que fralda é coisa de nenê, que ele não precisa dela para fazer côco". Tudo explicado, colhemos o que temíamos, uma tremenda constipação. Voltamos para a fralda, afinal, o RoRo tinha deixado a chupeta, o paninho, a mamadeira... Uma hora ia também abandonar a fralda.
Ouvi as mais variadas hipóteses, principalmente que talvez ele não conseguisse se desprender de sua "obra". Sabíamos que esta hipótese era furada, pois todos os cocôs iam da fralda para a privada com um tchau vitorioso. Este não era o problema.
A situação estava ficando insustentável. Nem fralda do seu tamanho era fácil de encontrar... Ele já estava com quase 4 anos!
A segunda tentativa de erradicar este comportamento foi dizer que ele teria que sentar-se na privada, mesmo com fralda. Imaginávamos que esta seria uma forma de se familiarizar com o vaso. Ledo engano.
Foi aí que nos demos conta que toda essa situação era criada para nos manipular: a hora de fazer cocô era a hora do almoço (e a Lalinha dependia de nós, pais, para comer). Pedir para colocarmos sua fralda era um jeito de ter nossa atenção com exclusividade ou de fazer com que a irmã não a tivesse por inteiro.
Tentamos cortar a situação dizendo que eu não iríamos mais colocar a fralda, que se ele não usasse a privada teria que colocá-la sozinho. Rapidinho ele aprendeu a colocar a fralda. O que demoramos para perceber é que não havíamos feito o corte por inteiro. Ele punha a fralda e nós a tirávamos. A dinâmica continuava a mesma, até que um dia dissemos: "Agora é hora do almoço. Quer fazer cocô na fralda, coloque-a e depois que fizer cocô, tire-a. Um de nós vai no banheiro só para te limpar". Foram 2 dias reclamando. No terceiro encarou o trono na maior naturalidade.
O que lhe faltava não era maturidade, nem limite de "senta e faz, você cresceu". Faltava a compreensão de que a fralda estava sendo usada como um instrumento para ganhar, num determinado momento do dia, atenção exclusiva. Ela tinha poder: eu posso, eu faço. Ela era sua "obra".
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Acantonamento
No meio do mês passado a escola das crianças fez um acantonamento, uma noite em que as crianças com mais de três anos podem dormir na escola e participar de atividades programadas para a ocasião.
Até o ano passado, mesmo com 3 anos, eu não havia cogitado a ida do RoRo porque ele só dormira sozinho na casa dos meus pais algumas raras vezes e, sempre que questionado se queria dormir na casa de alguém a resposta era não. Achei que seria forçar a barra.
Este ano, ouvindo a confirmação da presença de crianças menores, perguntei-lhe se gostaria de participar do acantonamento. Ele disse que sim, apesar dos pouquissímos amigos de sua sala participarem (e os que participaram estavam acompanhados de irmão mais velho).
A noite chegou e ele estava alegre, feliz, contando para todos que dormiria na escola. Pegamos a mochila arrumada conjuntamente, o colchonete comprado especialmente para a noite, e parti para a aventura de deixá-lo dormir fora de casa pela primeira vez (a casa dos meus pais não conta!).
Confesso que achei tudo diferente. A escola vista à noite, as salas transformadas em quartos, professores e alunos de outro período presentes e do nosso período ausentes, ex-alunos... Era outra escola. Todos brincavam, mas achei o RoRo meio tenso. Vim para casa e resolvi (tentar) dormir no meu horário habitual. Eu não estava tranquila. O RoRo tinha ficado apreensivo no familiar novo ambiente. Com muito esforço adormeci e um tempo depois o telefone tocou. Eram mais de 11 da noite. Enquanto existiu brincadeira ele curtiu. Na hora de dormir, preferiu voltar para casa.
Mesmo sonolenta, o curto percurso de casa para a escola virou uma longa exibição de flashes do meu pai fazendo baldiação noturna de filhos e amigos dos filhos e do que meu futuro me reserva (pensei "Isso é tarefa para pai, mãe já acorda muito na infância!" - apesar de ser totalmente adepta, hoje, a filho, no futuro, só sair a noite de táxi ou outro transporte seguro). Quando cheguei na escola havia um silêncio inabitual - as crianças já dormiam. No pijama verde de aviões, tive orgulho daquela carinha linda cheia de lágrimas. Torcíamos para a empreitada ser um sucesso. E foi. O RoRo teve a vontade de experimentar e a percepção do seu limite. Foi grande. Voltou para casa certo de que nela ele tem o apoio que precisa, trazendo da sua tão saborosa experiência uma bala da pinhata para cada um de nós.
Até o ano passado, mesmo com 3 anos, eu não havia cogitado a ida do RoRo porque ele só dormira sozinho na casa dos meus pais algumas raras vezes e, sempre que questionado se queria dormir na casa de alguém a resposta era não. Achei que seria forçar a barra.
Este ano, ouvindo a confirmação da presença de crianças menores, perguntei-lhe se gostaria de participar do acantonamento. Ele disse que sim, apesar dos pouquissímos amigos de sua sala participarem (e os que participaram estavam acompanhados de irmão mais velho).
A noite chegou e ele estava alegre, feliz, contando para todos que dormiria na escola. Pegamos a mochila arrumada conjuntamente, o colchonete comprado especialmente para a noite, e parti para a aventura de deixá-lo dormir fora de casa pela primeira vez (a casa dos meus pais não conta!).
Confesso que achei tudo diferente. A escola vista à noite, as salas transformadas em quartos, professores e alunos de outro período presentes e do nosso período ausentes, ex-alunos... Era outra escola. Todos brincavam, mas achei o RoRo meio tenso. Vim para casa e resolvi (tentar) dormir no meu horário habitual. Eu não estava tranquila. O RoRo tinha ficado apreensivo no familiar novo ambiente. Com muito esforço adormeci e um tempo depois o telefone tocou. Eram mais de 11 da noite. Enquanto existiu brincadeira ele curtiu. Na hora de dormir, preferiu voltar para casa.
Mesmo sonolenta, o curto percurso de casa para a escola virou uma longa exibição de flashes do meu pai fazendo baldiação noturna de filhos e amigos dos filhos e do que meu futuro me reserva (pensei "Isso é tarefa para pai, mãe já acorda muito na infância!" - apesar de ser totalmente adepta, hoje, a filho, no futuro, só sair a noite de táxi ou outro transporte seguro). Quando cheguei na escola havia um silêncio inabitual - as crianças já dormiam. No pijama verde de aviões, tive orgulho daquela carinha linda cheia de lágrimas. Torcíamos para a empreitada ser um sucesso. E foi. O RoRo teve a vontade de experimentar e a percepção do seu limite. Foi grande. Voltou para casa certo de que nela ele tem o apoio que precisa, trazendo da sua tão saborosa experiência uma bala da pinhata para cada um de nós.
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